O desafio de uma educação emancipadora

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Fonte da imagem de destaque: gazetadopovo.com.br

Muito temos visto mundo a fora sobre educação, escolas, modernização da educação, etc. Mas nem tanta coisa empolgante assim.

Hoje eu assistia a um programa de TV sobre o mercado de educação. Vi coisas interessantes como a tecnologia na educação, escolas com sistemas modernos, etc, sem aprofundar o que realmente interessa. Sempre com aquela visão burguesa de como deveria ser uma escola. As escolas apresentadas eram modernas, uma delas até ensina a utilizar a tecnologia para o trabalho, mas nada que me empolgasse muito.

A aula mais interessante que eu assisti em uma escola, foi no interior de São Paulo, uma professora da rede pública que falava sobre a importância do esclarecimento, da não servidão e da crítica sobre todas as coisas. Era uma aula de história. Uma aula como eu nunca tive nas escolas que eu estudei. Parecia até que eu estava tendo uma aula sobre o artigo “Resposta a pergunta O que é o Iluminismo” de Immanuel Kant, ou “Discurso sobre a servidão voluntária” de Éthienne de La Boétie. Mas não era. Era apenas uma aula de história. Uma professora que capturou bem a essência do tema da aula. O Iluminismo e a revolução francesa.

Por que eu descrevo aqui esse episódio? Porque é pertinente lembrar que de nada adianta tecnologia na escola se o conteúdo é limitador. Recordo-me do pedagogo Rubem Alves, que não gostava da expressão “grade curricular”, a qual ele dizia lembrar algo que aprisiona a criatividade das nossas crianças.

O que eu percebo no debate contemporâneo sobre educação, é que discute-se o aprimoramento do atual modelo de educação que nada mais é do que uma evolução do sistema prusiano de educação. Essa é o grande problema. É necessário mudar o conceito que fazemos de educação. Os paradigmas que cercam a educação.

Precisamos de escolas que incentivam o esclarecimento e ajudem as nossas crianças e jovens a desenvolver o intelecto, que proporcionem emancipação e empoderamento em todos os sentidos. Mas o que muitos propõe é um modelo que seja apenas mais eficientes em transformar os jovens em mão de obra a ser incorporada a força produtiva. E para piorar chamam isso de inclusão através da educação.

Que modelo de educação você prefere para os seus filhos? Um modelo de esclarecimento, ou um modelo de produção em série de mão de obra? Obviamente, a escola precisa, por necessidade desse tempo de quarta revolução industrial, ensinar sobre as novas tecnologias e matérias de interesse econômico para o aluno e para o país. Mas são fundamentais, o esclarecimento, a dialética, a crítica e todos os conhecimentos para o aprimoramento intelectual do aluno para o empoderamento e emancipação.

Conhecer o que a burguesia conhece, empreender e inovar. Eis uma necessidade da educação para os trabalhadores.

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