Venezuela: Uma disputa de poder entre países poderosos

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Imagem em Destaque: Confusão na fronteira (Fonte: Poder 360)

Um tema tem tomado a atenção de muitos telespectadores e ouvintes na TV e no rádio atualmente: A Venezuela. E não é para menos. Uma enorme crise humanitária, uma intensa queda de braço entre Nícolás Maduro e oposição, um país a beira de uma guerra civil, hiperinflação só comparada a hiperinflação alemã após o tratado de Versalhes. Entre muitos outros gigantescos problemas naquele país.


Legenda: Protesto contra Maduro (Fonte: Independent)

Isso tudo compõe um cenário desolador, mas que de tão espantoso, de tanta atenção que chama da comunidade internacional, faz com que poucos prestem atenção nos perigos que se avizinham devido a crise naquele país.

Nem todos fizeram uma análise cuidadosa, na questão geopolítica envolvendo a atual situação da Venezuela. Uma análise mais profunda nos trará enorme preocupação para dentro do território dos países vizinhos, como a Colômbia, o Brasil e outros. Mas não me refiro aos refugiados, que devem ser acolhidos com todo o acolhimento que a situação exige. Me refiro ao alcance que esse conflito político, que de questão interna corporis, já alcança o circulo político em países que historicamente disputam por influencia sobre várias regiões do mundo.


Legenda da Imagem: Trump pressiona a Venezuela (Fonte BBC/Reuters)

 

Já durante alguns meses, potências estrangeiras estão se organizando no entorno da crise venezuelana. Sob o manto da imperativa ajuda para a superação da crise, com a preocupação de garantir uma posição estratégica na América do Sul (Exatamente como aconteceu na Síria quanto a situação política do presidente Bashar Al-Assad). A diferença é que a presença americana na Síria é vista com desconfiança pela Rússia, enquanto que aqui na América do Sul, existem enormes interesses norte americanos (guiados pela chamada Doutrina Monroe) e que também interessam a Rússia e seus aliados.

 


Aeronave Russa no aeroporto Simon Bolivar (Fonte: BBC Brasil)

A beligerância se avizinha. Quatro aeronaves russas, dentre elas aeronaves com capacidade de transporte de armas nucleares, chegaram a Venezuela em dezembro do ano passado (Fonte: BBC) , em plena crise política, enquanto lideres sul-americanos se reuniam para tratar sobre a crise venezuelana. O interesse dos Estados Unidos acerca do tema é enorme, o que tem ficado cada vez mais claro ao longo dos meses.

Mas agora atingimos um ponto sombrio, do qual o mais sensível tato se faz necessário, porque é o limite de onde não se pode voltar se atravessarmos. A enorme desconfiança que existe por parte de Maduro e a cúpula militar venezuelana quanto ao interesse norte americano em oferecer a ajuda humanitária que tornou-se o estopim de mais uma crise. Daí surge o perigo. Qualquer dos lados que iniciar um ataque militar pode iniciar uma guerra que afetará outros países na região. A presença Russa na região deixa claro. Os Estados Unidos não são os únicos interessados no petróleo venezuelano e na influencia política sobre os países sul-americanos.


Legenda: Rússia condena qualquer tentativa de mudar situação da Venezuela à força (Fonte: Agencia Sputnik)

A crise tem uma solução. Algo que parece ter escapado a todos que estão catatônicos diante da crise que se aprofunda cada vez mais. A ajuda humanitária oferecida pelos Estados Unidos, que pode até não ter interesses outros (difícil de acreditar pois os Estados Unidos não jogam atoa), ficou parecendo, aos olhos do governo venezuelano, como algum tipo de interferência, algum jogo político pela maneira como o principal opositor em destaque na mídia (Juan Guaidó) encampou a entrada dessa ajuda (caminhões com remédios e alimentos) em território venezuelano. Guaidó ja cresceu fortemente entre os opositores a Maduro e ganha cada vez mais apoio de militares desertores.


Legenda da Imagem: Juan Guaidó (Fonte: A Bola)

Com a mais absoluta certeza, essa situação é insustentável até para os aliados chavistas de Nicolás Maduro. Mas muita gente, ao pensar nisso, teria que se perguntar “por que eles não derrubam o governo eles mesmos?” A resposta pode ser a mais simples de todas: Porque eles ainda não identificaram opositores de Maduro que também se posicionassem contra a interferência política norte americana em seu país.

A América Latina tem um histórico de interferências norte americanas em sua política interna. O Tempo da guerra fria foi um período de golpes de estado e instalação de ditaduras em muitos países, com claro interesse de eliminar alianças políticas e parcerias comerciais com países vistos como concorrentes a política externa norte americana. Governos foram depostos para garantir o alinhamento automático de vários países a politica externa dos Estados Unidos. O mesmo também ocorreu nos países considerados estratégicos para os soviéticos e governos foram instalados com o objetivo de barrar um crescente poderio norte americano nessas regiões.

Não há porque pensar que o fim da guerra fria representaria o fim do interesse desses países em influenciar muitos outros. Mas dessa vez, estamos no meio do fogo cruzado. Todo cuidado é pouco para não envolver o Brasil em uma guerra, pois qualquer ataque pode dar inicio a um conflito muito maior do que poderemos resolver com diplomacia.

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