O novo coronavírus e o dilema enfrentado pelo Brasil

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Nas ultimas semanas, a contaminação pelo novo coronavírus ( 2019-nCoV ) entrou em um ritmo cada vez mais acelerado em território brasileiro, e ainda mais na ultima semana , quando os casos registrados começaram a escalar crescimento rumo a um colapso dos sistemas de saúde público e privado , anunciados pelo ministro da saúde para o mês de abril.

Legenda da imagem: População na China com máscaras (Fonte: Revista Exame/Editora Abril)

Para entender a situação é necessário avaliar a evolução da epidemia em outros países que apresentaram experiências (algumas com bons resultados e outras com consequências desastrosas).

No caso da China , houve demora pelas autoridades em perceber que a doença que se espalhava pela cidade não se tratava de influenza. Isso ocorreu quando o número de casos atingiu números muito altos. Daí passaram a investigar outras possíveis formas de infecção, chegando então a uma variação do vírus da SARS. A situação , de tão grave pelo número de óbitos causados pelo vírus, levou as autoridades a isolar toda a cidade de Wuhan como parte das medidas de contenção da epidemia.


Fonte da Imagem: Revista Superinteressante (Chung Sung-Jun/Superinteressante)

Recentemente, a revista superinteressante apresentou uma matéria informando que infectologistas chineses já previam a epidemia em 2019 pelo coronavírus , um vírus identificado pela primeira vez em um mercado onde (até então) eram vendidos animais de várias espécias, algumas passíveis de infeções por coronavírus.

O vírus continuou se espalhando até que as pessoas assintomáticas foram também isoladas.

Outros países como a Coreia do Sul e o Japão passaram a tomar medidas de segurança e os casos começaram a se espalhar pelo mundo. O erro de muitos países foi o de minimizar o debate sobre o vírus. Apesar de preocupações mudo a fora, alguns países preferiram não dar devida atenção ao coronavírus e as consequências foram severas (caso da Itália). As medidas de combate a propagação da doença vieram tardiamente , o que provocou elevado número de óbitos e levou o país a parar para evitar ainda mais óbitos.

Imagem: Restaurante vazio em Veneza (Foto de Manuel Silvestri/AP)

O número de mortos na Itália e o colapso do sistema de saúde italiano, assustaram ao mundo. Somando-se o caos na Itália ao número de países contaminados pelo 2019-nCoV, levaram a Organização Mundial de Saúde a declarar pandemia e recomendar medidas de restrição para evitar o contágio.

Enquanto isso no Brasil, a demora para o governo federal tomar atitudes a respeito da pandemia, levou os governadores dos estados a adotarem por conta as medidas recomendadas pela OMS. A economia que já apresentava desempenho medíocre com o PIB de 1,1% , nessa situação de pandemia tem tudo para entram em profunda recessão. Porem , o mais grave não é o quadro de recessão que se desenha, pois já é um consenso entre a maioria dos empresários de que essa situação de tão excepcional exige medidas desse nível como as recomendadas pela OMS.

Imagem: Bolsonaro com mascara no rosto (Fonte: poder360)

No Brasil, apesar de elogiadas pelas autoridades sanitárias e a classe médica, as medidas recomendadas pela OMS, adotadas pelos governos estaduais, levaram os presidente Jair Bolsonaro a externar contrariedade aos governadores , inclusive declarando que governadores e a imprensa estão enganando a população, segundo ele promovendo a “histeria” e o “conceito de terra arrasada”. Vale lembrar que Bolsonaro foi de encontro aos manifestantes da famigerada manifestação de 15/03/2020, em um momento que a classe médica já alertava para o risco das aglomerações.

Uma postura profundamente equivocada que , tem consequências graves, pois cria o risco de trazer o debate sobre saúde pública para o maniqueísmo no debate raso “Economia X Saúde”. Assim como não se deve transformar a questão de saúde pública em disputa político partidária , nem ignorar as questões de saúde pública e a gravidade da pandemia a pretexto de manter a economia girando. Por razões obvias, é necessário produzir insumos hospitalares e materiais de limpeza , todavia não se pode permitir a contaminação sem controle em um comercio girando e aglomerações nas lojas.

Em outras palavras, as medidas de quarentena são adequadas a situação pois nada mais resta para preservar as vidas que podem se perder com o contagio.

Não se deixe enganar, as consequências econômicas virão com ou sem quarentena. A única escolha a ser feita nesse momento é “o isolamento social agora” (e programas de apoio a população atingida pelo cenário econômico) para ter folego para recuperar mais tarde a economia e os empregos, ou parar forçadamente apos o imenso número de óbitos. A Itália já passou por esse dilema e também foi forçada a parar pelo imenso número de mortos pela epidemia.

O dilema entre Economia e a saúde da população só existe na cabeça das pessoas que se recusam a entender a realidade do país. As consequências da pandemia serão severas no mundo todo. O que pode diminuir o estrago econômico são as medidas de contenção a pandemia e os programas de socorro a população trabalhadora (principalmente de baixa renda) e as empresas , pois a previsão é de um período prolongado para combate a propagação da doença.

Ontem, o jornal Folha de São paulo publicou uma matéria sobre a epidemia na China ( Clique aqui para acessar ), onde fica clara a eficácia do isolamento para evitar o contágio pelo 2019-nCoV (coronavírus que provoca a COVID-19), principalmente na faixa que os infectologistas chineses chamam de base da pirâmide (portadores assintomáticos que disseminam o vírus pelo país). Tal medida se faz necessária porque o vírus se propaga com enorme velocidade , principalmente entre portadores assintomáticos. A experiência chinesa mostra que não adianta isolar apenas os paciente que apresentam os sintomas da COVID-19. Por esse exato motivo, países que apenas tardiamente adotaram medidas de restrição não conseguiram achatar a curva de propagação do vírus. A Coreia do Sul , por outro lado, testava todos os seus cidadãos vindos do exterior, independente de apresentarem sintomas e se valeu do sistema de testes em Drive Thru. A Alemanha, conhecendo a situação da Itália, preferiu tomar todas as providências para dificultar a propagação do vírus , o que permitiu um melhor resultado no combate a pandemia.

Em outras palavras, o mundo todo está tratando o assunto com muito cuidado e atenção. Nesse momento não existe melhor maneira de proteger a economia do que proteger a saúde da população e evitar uma catástrofe para qual a pandemia caminha em caso de se deixar o contágio correr solto. E do sucesso do combate a pandemia , que depende a economia.

Resumindo, Fique em Casa.

 

Imagem de destaque: Coronavírus (Fonte: Revista Veja)

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