Nessa terça feira, 24 de setembro de 2019, o mundo ficou chocado com os absurdos ditos pelo presidente Jair Bolsonaro em seu discurso na ONU. Um discurso que mostra que as prioridades desse governo giram em torno de teorias conspiratórias. O discurso do presidente se voltou a assuntos como um fantasioso socialismo brasileiro, Cuba, Venezuela e uma mitologia envolvendo o foro de São paulo, dentre outros absurdos que fazem o mundo se preocupar com o que está acontecendo no Brasil. Mas não poderia ser diferente. O presidente estava fazendo um discurso para o seu público (aqueles que apesar dos absurdos, sempre concordam com ele) aqui no Brasil. Ele vive em campanha mesmo depois das eleições.
Sintoma de um momento terrível
O mais triste de tudo é que o presidente parece acreditar em cada palavra que diz, e também parece que nada se pode fazer quanto a isso. Existe toda uma realidade construída no entorno das teorias conspiratórias. Todos os elementos estão presentes no atual momento brasileiro: A crença de que existiu um passado glorioso que foi perdido, a ideia de que a liberdade, a democracia com valores seculares e a diversidade de ideias e costumes ameaçam a família e o futuro do país, além da fantasiosa ameaça de um marxismo cultural que nos faz relembrar os tempos da guerra fria.
O mais terrível desse cenário é que durante todo o ano de 2018 foi aberta a caixa de pandora, libertando no país todo tipo preconceito de anti-intelectualismo. Hoje grupos diversos se sentem a vontade para disseminar o ódio, a apologia a violência, o ódio a quem não se ajoelhe para seus dogmas, grupos estes dentre os quais se sentem a vontade para travar uma cruzada contra aqueles que não se encaixam em suas realidades simuladas.
A ideia de Marxismo Cultural

O marxismo cultural é mais uma teoria conspiratória. Uma teoria fantasiosa que diz que a Escola de Frankfurt criou um projeto, que os teóricos da conspiração chamam de marxismo cultural, para destruir os valores e as instituições importantes para a civilização ocidental. Uma ideia que ganha ainda mais força entre os que se impressionam com teorias da conspiração se somado ao medo de grupos dogmáticos que temem a aceitação de novos padrões entre o perfil das famílias. Obviamente a Escola de Frankfurt não criou nenhum projeto de dominação global e já foi alvo de ataques de movimentos de extrema direita antes.
Não é tao surpreendente entender o por quê de grupos religiosos ultra radicais se juntaram aos teóricos conspiracionistas na construção desse cenário onde o obscurantismo se instalou. Com isso, a teoria conspiratória do marxismo cultural logo trata de demonizar homossexuais, feministas, e quaisquer segmentos que não se alinhem ao perfil aceito pelos adeptos da teoria.
O perigo para a democracia
Existe uma enorme tendencia desses grupos na chegada ao poder, em tentar interferir na cultura, na educação e na formação das crianças e jovens. Também existe a discreta tendencia a implementar dispositivos legais que isoladamente não mudam nada, mas que somadas depois de um tempo criam a brecha para a pratica de todo tipo de abuso para garantir a hegemonia no terreno das ideias, das praticas, costumes e na política.
As democracias não morrem da noite para o dia, elas são minadas por dentro até que em um momento crítico, elas são implodidas pelos tiranos.
*** Imagem de destaque do artigo: Pintura de Jheronimus Bosch (Fonte: Wikipedia)




