{"id":294,"date":"2020-08-24T04:28:13","date_gmt":"2020-08-24T04:28:13","guid":{"rendered":"http:\/\/observatorioparaofuturo.orionmultimidia.com.br\/?p=294"},"modified":"2020-08-24T04:28:13","modified_gmt":"2020-08-24T04:28:13","slug":"vamos-falar-um-pouquinho-sobre-renda-minima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eusouorion.com.br\/?p=294","title":{"rendered":"Vamos falar um pouquinho sobre renda m\u00ednima"},"content":{"rendered":"<p>Hoje falaremos sobre um tema necess\u00e1rio, mas que \u00e9 muito mal compreendido , sendo (inclusive) tratado por muitos como tema de esquerda ou como insustent\u00e1vel. Hoje falaremos sobre renda m\u00ednima.<\/p>\n<p>O Brasil , enquanto economia, tem dificuldade em crescer de maneira mais robusta (comparado a outros pa\u00edses), em parte pela excessiva tributa\u00e7\u00e3o de empresas e tamb\u00e9m em parte pela m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda e de riqueza. Infelizmente, o nosso modelo tribut\u00e1rio prioriza a tributa\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os, mas escapam lucros e dividendos e pouco se tributa as grandes fortunas. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender as consequ\u00eancias disso.<\/p>\n<p>Segundo a OXFAM , em relat\u00f3rio ainda de 2018 (<a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/um-retrato-das-desigualdades-brasileiras\/pais-estagnado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pode ser lido no site da Oxfam Brasil , clicando aqui<\/a>), em situa\u00e7\u00e3o atualmente agravada em rela\u00e7\u00e3o ao apresentado nesse relat\u00f3rio, considerando os dados tribut\u00e1rios e c\u00e1lculos do IBGE, a desigualdade \u00e9 apresentada em n\u00fameros:<\/p>\n<ul>\n<li>Segundo dados tribut\u00e1rios, o grupo 1% mais rico ganha 72 vezes mais que os 50% mais pobres ;<\/li>\n<li>J\u00e1 o IBGE calcula os rendimentos mensais dos 1% mais ricos \u00e9 36,3 vezes maior que os rendimentos dos 50% mais pobres .<\/li>\n<\/ul>\n<p>Dados como esses representam um enorme abismo entre ricos e pobres. Tamanha desigualdade , embora aliviada por t\u00edmidos programas de transfer\u00eancia de renda, mas nem de longe erradicada, uma vez que o pa\u00eds produziu certo n\u00famero de bilion\u00e1rios (ou concentrou renda), criou enormes dificuldades no momento em que vivemos, onde at\u00e9 mesmo os cuidados mais simples para evitar contamina\u00e7\u00f5es por coronav\u00edrus (em plena pandemia) se torna demasiado complicada pois as popula\u00e7\u00f5es mais pobres residem em submoradias onde falta acesso a \u00e1gua, h\u00e1 pouco dinheiro para alimenta\u00e7\u00e3o e artigos de higiene e as condi\u00e7\u00f5es de saneamento b\u00e1sico s\u00e3o lastim\u00e1veis. Condi\u00e7\u00f5es essas que j\u00e1 se apresentavam antes da pandemia, por\u00e9m tem pouca aten\u00e7\u00e3o de governos, empresas e sociedade.<\/p>\n<p>\u00c9 um enorme engano pensar que esse \u00e9 apenas um problema das popula\u00e7\u00f5es mais pobres, pensamento que leva a tratar a marginaliza\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es como algo natural, pois a participa\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a economia como um todo.<\/p>\n<p>Quando analisamos a economia como um todo e o caminho do dinheiro, entendemos a import\u00e2ncia de monetizar a economia onde ela, de fato, permite abastecer as empresas e neg\u00f3cios, gerar empregos, incrementar a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos a munic\u00edpios, entre outros efeitos. Para entender o como isso pode ocorrer, temos que entender o que comp\u00f5e o PIB.<\/p>\n<p>O PIB depende essencialmente da soma entre o consumo das fam\u00edlias, o investimento privado e o gasto p\u00fablico. Soma-se a isso tamb\u00e9m o saldo da balan\u00e7a comercial (a diferen\u00e7a entre exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es). Para investir, as empresas precisam de um cen\u00e1rio de confian\u00e7a onde os investimento tem retorno seguro ou o menor risco poss\u00edvel, o que, em momentos adequados, leva o governo a fazer gastos para produzir est\u00edmulo econ\u00f4mico. Mas , em se tratando de Brasil, o consumo das fam\u00edlias corresponde a cerca de 60% do peso do PIB. Da\u00ed uma enorme import\u00e2ncia em garantir que a base da pir\u00e2mide social n\u00e3o fique desmonetizada, para evitar ou tentar diminuir a retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em um cen\u00e1rio de crise, por\u00e9m a longo prazo permitir que a economia n\u00e3o trave por grave redu\u00e7\u00e3o do consumo de produtos b\u00e1sicos como alimentos (por exemplo), entre outros.<\/p>\n<p>Segundo a economista M\u00f4nica de Bolle, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCWWCnzBwz2zqH7TgKD0EeSQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em seu canal no YouTube<\/a>, um programa de renda m\u00ednima, bem desenhado e feito pensando nas crian\u00e7as (uma proposta mais pr\u00f3xima para o momento), requer no m\u00e1ximo 1,5% do PIB e produz um retorno fiscal de 45% na forma de impostos. Existem outras propostas mais ousadas , todavia mais caros e que podem at\u00e9 se tornar realidade no futuro, mas um programa como esse teria um enorme impacto na economia brasileira devido a uma caracter\u00edstica do programa, que \u00e9 a gravita\u00e7\u00e3o inversa do dinheiro que flui para cima, chegando ao comercio, produtores, bancos e outras empresas, al\u00e9m da arrecada\u00e7\u00e3o fiscal. Isso se deve a uma caracter\u00edstica importante do p\u00fablico atingido por um programa de renda b\u00e1sica, que \u00e9 a propens\u00e3o marginal ao consumo em 100% da renda. S\u00e3o pessoas muito pobres , que n\u00e3o tem renda suficiente para subsist\u00eancia , quem dir\u00e1 acesso a renda passiva (algo fora da realidade para esse p\u00fablico).<\/p>\n<p>Se somarmos um programa como esse (renda m\u00ednima) com um modelo tribut\u00e1rio progressivo e com foco na renda e um modelo previdenci\u00e1rio eficiente, podemos resolver um enorme gargalo da economia brasileira que obsta o crescimento que \u00e9 a soma de m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda e excesso de tributa\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os. Em outras palavras, um programa de renda m\u00ednima com a abrang\u00eancia necess\u00e1ria, somado as reformas adequadas, pode auxiliar a um melhor desempenho da economia brasileira e as empresas podem se beneficiar (com uma reforma tribut\u00e1ria) com maiores ganhos e at\u00e9 maior competitividade para seus produtos no mercado externo.<\/p>\n<p>Trocando em mi\u00fados, a desigualdade \u00e9 o grande problema da economia brasileira. Um programa de renda m\u00ednima pode n\u00e3o ser a solu\u00e7\u00e3o, mas discutido no bojo de uma reforma tribut\u00e1ria que leve a tributa\u00e7\u00e3o de lucros e dividendos e grandes fortunas, que leve a um modelo progressivo e com foco na renda, far\u00e1 parte da solu\u00e7\u00e3o para resolver o gargalo da economia brasileira.<\/p>\n<p>**<em>Imagem de destaque desse artigo: <a href=\"https:\/\/exame.com\/seu-dinheiro\/covid-19-serasa-ensina-com-gerar-renda-extra-durante-a-quarentena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renda na quarentena &#8211; Fonte: Revista Exame.com<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje falaremos sobre um tema necess\u00e1rio, mas que \u00e9 muito mal compreendido , sendo (inclusive) tratado por muitos como tema de esquerda ou como insustent\u00e1vel. Hoje falaremos sobre renda m\u00ednima. 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